Real Despedida

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Quando pensarem numa escola de qualidade, em formação integral e educação de verdade,
Eu já estarei longe,
Os alunos crescerão da mesma maneira
E a escola pública não será menos fértil que o tempo que trabalhei nela.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha despedida não tem importância nenhuma
Sei que minha despedida é questão de dias
Partirei contente, porque a escola pública não representa o passado e sim o amanhã.
Se esse foi o meu tempo, quem ficou e chega nessa escola que abrace com fervor a realidade.
Sempre gostei daquilo que é real e tudo que esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, estou saindo agora da escola pública, saindo contente,
Porque tudo é real, mas nem tudo está certo. Uma escassez diária, uma ineficácia pueril, além de engendrada ação pedagógica
Só fazem o que querem diante daquilo que beneficiam alguns quando o que deveriam preferir todos para assim preferenciar o aluno
Não adianta preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Adaptação de Virgínia Borges, 2018
Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”
Heterónimo de Fernando Pessoa

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