Carol, eu sou da direita

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Hoje, numa conversa profunda com minha amiga, Caroline Cerqueira, fui questionado se eu era da direita ou da esquerda, sem a opção de ficar no meio do muro. O detalhe é que após algumas horas de muita conversa, reflexão e bate-papo, minha alma continuava inquieta diante do questionamento, o que me levou a escrever esta resenha.

A Direita brasileira se caracteriza em priorizar o investidor estrangeiro, apresentando a mesma resposta à política econômica, que é aumentar os salários dos servidores públicos dos setores do seu interesse, aumentar os salários do poder judiciário federal, elevar a taxa de juros para atrair os investidores estrangeiros, estagnando a economia interna, aumentado as despesas com coisas inúteis, para obrigar a máquina pública, num dado momento, a proceder a privatização disso e daquilo outro. A direita tenta manter um discurso justo, fazendo promessas na geração de empregos e na melhoria dos serviços públicos na saúde e na educação. O problema é que não existe almoço de graça, enquanto que àquele que paga os impostos em dia não consegue usufruir dos serviços públicos, por conta do déficit. Aqueles que não contribuem, que são a maioria, também não conseguem, pela mesma razão, uma vez que a demanda gerada pela pobreza, a desigualdade social e o desemprego são altas. Em suma, no final nada funciona e ninguém é atendido, mesmo com o custo paradoxal da Finlândia e a qualidade do serviço prestado do Zimbabwe.

A Esquerda segue o mesmo caminho da política econômica da direita, com uma diferença, ela dá voz às minorias, coloca os grupos em conflito contínuo, priorizando os interesses individuais destas mesmas minorias, investindo altas quantias em propagandas publicitárias e no marketing, para garantir o voto, apresentando as exceções como exemplos, para tirarem fotos e venderem a ideia de que tudo está funcionando, quando, de fato, continua no mesmo ritmo de antes, quando era a direita. Nessa brincadeira, a classe média fica menor, perde seu poder de compra, os impostos aumentam, as contribuições despencam, a sonegação aumenta, acompanhando o crescimento contínua da pobreza, da desigualdade social, do desemprego e da violência.

A Direita mente continuamente, porque governar é atuar no palco, tornando-se a arte da enganação, da comédia e da ironia com a plateia, que não consegue acompanhar os diálogos na maioria das vezes. A esquerda faz o mesmo show, se dizendo diferente de um lado, e levando os talheres, os pratos e a comida do jantar do outro. Quando no poder, ela rouba muito mais que a direita, sob o discurso de que está distribuindo para os pobres, que continuam pobres depois de tudo isso, porque nada chegou lá de verdade, salvo a doce mentira da propaganda enganosa, porque o custo de se fazer o certo é justamente acabar com o dinheiro extra no bolso do político, que está preocupado em fazer seu império e aumentar o patrimônio com o dinheiro do FUNDEB ou do SUS. Se for Presidente, Prefeito ou Governador, leva e lava tudo, começando pelos recursos próprios, deixando milhões ou bilhões de dívidas para o sucessor. E assim se resume o ciclo vicioso político e na gestão pública brasileira nos últimos 130 anos da república, que ignorou o povo brasileiro e nunca assumiu sua responsabilidade com o abandono dos escravos recém-abolidos ainda no final do período imperial.

Se eu tivesse que escolher um lado para eu me posicionar, sem dúvida alguma, eu estaria na direita, na busca pela justiça social, priorizando a eficiência dos serviços públicos para quem pagas os seus impostos em dia, investindo na fiscalização, na auditoria contínua e na geração das novas vagas de trabalho, objetivando aumentar a arrecadação de um lado e diminuir o investimento social do outro, porque não existe almoço de graça, enquanto que a pobreza só é um negócio interessante para o ladrão. O País vai bem, quanto mais gente trabalha, produz, contribui e paga os impostos. Não investiria em presídios, porque estes lugares precisam ser um inferno para fazer sentido para quem está aqui fora e para quem está lá dentro. Também não faz sentido investir na recuperação dos presos, quando as crianças e os jovens estão se perdendo pelas ausências nas políticas públicas. No final, fica aquele cheiro de peido no ar, diante da inversão de valores, transformando as vítimas em soldados do crime pelo ambiente social, tentando humanizar os monstros, quando já atravessaram a linha da marginalidade, seguindo um caminho sem volta, mantendo-se a prática da utilização das exceções na mídia, para justificar o investimento errado, no local e públicos errados.

Analisando o que aconteceu com Dom Pedro II, Ruy Barbosa, Getúlio Vargas e, agora, com o Bolsonaro, a História me leva a concluir que os brasileiros não estão preparados para a democracia, enquanto o Brasil só se desenvolverá com o fechamento temporário do Congresso Nacional. O marginal precisa ter medo da sociedade, enquanto estou vendo o contrário na atualidade. Pior do que você ter que recomeçar é a necessidade imperativa de ter que reconstruir.

Está na hora de privatizar todas as estatais, com exceção daquelas ligadas à área da defesa e dos recursos hídricos. Se a Petrobrás for privatizada, o governo incentivará a pesquisa e a proliferação de novas formas de energia alternativa, enquanto não faz qualquer sentido se ter uma empresa pública focalizando o lucro. Essa característica mista da Petrobrás só dificulta o desenvolvimento do país.

Por fim, na iniciativa privada, quem paga leva o produto e recebe o serviço. Por que tem que ser o contrário com o serviço público? Se o que temos não dá para atender quem paga os impostos, então, não faz sentido querer salvar todos. Esse raciocínio pode até garantir o voto, mas não eleva o governo e sua sociedade. Logo, o voto deveria estar condicionado ao imposto de renda, à contribuição previdenciária e à carteira de trabalho assinada, pois, somente assim, a democracia seria garantida e os serviços executados com eficiência. Qualquer coisa além disso é achismo, fantasioso e contraditória ao raciocínio lógico e matemático. Acreditar no cenário aplicado até o momento é o mesmo que se iludir.

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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