Rio de Janeiro precisa ter o carisma e a coragem de Getúlio

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Fico assustado e, ao mesmo tempo, fascinado, quando converso com a geração da minha avó sobre Getúlio Vargas e o Estado Novo. Simplesmente, o Getúlio Vargas é resumido às frases: – “Eu segurei na mão do Getúlio. Ele carregou meu filho no colo. Ele era cabra macho e não levava desaforo para casa.”  As pessoas resumem o período ditatorial do Estado Novo ao carisma e ao momento único em que o estadista tocou, de alguma forma, a alma e a ingenuidade do eleitor.

Há algo na essência do Getúlio Vargas que é imperceptível às gerações pós-segunda guerra mundial: – Getúlio Vargas fazia corpo a corpo e investia continuamente na comunicação com a massa, através do rádio e do jornal. Sua voz era escutada e repetida, como um eco popular, mesmo dentro da área de guerra entre os Estados Federativos e seus respectivos regimentos, porque o brasileiro, naquela época, acreditava que o comunismo era uma doença ideológica e econômica que tinha que ser extirpada, enquanto que Getúlio Vargas se ofereceu como a cura aos males da nação.

Retornando à atualidade, a política brasileira se resumiu na construção dos impérios e das dinastias, que acreditam no poder do dinheiro público, cujo acesso ao orçamento, através dos mecanismos legais, transformou o público em privado, materializando a corrupção, o sucateamento da saúde e da educação públicas, além da construção do caixa dois, para financiar as campanhas políticas milionárias, comprando o voto dos desempregados, dos esquecidos pelas políticas públicas e dos oportunistas. E assim, a fé do político se transforma no milagre da reeleição, através da compra do voto e do futuro da nação brasileira e do eleitorado carioca e fluminense, com o marketing mais caro do planeta, vendendo castelos de ilusões surrealistas, que se desmoronam no primeiro semestre do novo mandato.

Ao contrário do Getúlio Vargas, essas crianças mimadas, que estão no poder, não compreendem que a essência do poder vem da aprovação popular, cuja satisfação permite a reeleição e a construção dos sucessores, com casos de sucesso nas políticas públicas. O problema é que as crianças querem comprar seus mimos, e decidiram bancar a brincadeira com o dinheiro do povo. Quando o orçamento sofreu a queda com os royalties do petróleo e a diminuição das verbas finais das olimpíadas de 2016, decidiram chutar o pau da barraca, descumprindo a constituição federal e estadual, além de elevarem os impostos e taxas.

No final, eles acreditam que a brincadeira continuará fazendo seus sucessores e mantendo a dinastia política com seus filhos e netos, porque o dinheiro vem fácil, enquanto o eleitor tem preço. Todavia, não precisamos questionar o óbvio do tempo presente, que se resume ao caos financeiro do ente público, quando seus gestores vivem como monarcas. Prefiro fazer a única pergunta: – Quando foi que a estupidez da compra do voto começou? – Possivelmente, não obteremos a resposta, tendo em vista que o brasileiro tem memória curta, enquanto quem tem fome, tem pressa. No mais, precisamos de novas lideranças, que tenham o carisma e a coragem do Getúlio Vargas, que coloquem a cara na rua, tanto na paz e na guerra. Precisamos de pessoas que apertem as mãos, deem abraços, que olhem nos olhos e que lutem pela sociedade, enfrentando a corrupção e investindo no futuro, através da educação e da garantia de igualdade nas oportunidades.

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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