Turquia e o fantasma cultural da pena de morte nos tempos dos Golpes de Estado

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No dia 15/07/2016, a Turquia passou pela tentativa malsucedida do Golpe de Estado por parte do seu Exército, cuja uma das suas várias finalidades é garantir a “democracia” e o “equilíbrio” às ramificações políticas e religiosas dentro do circuito do poder. O presidente REEP TAYYIP ERDOGAN conseguiu mobilizar as massas populares através dos veículos da comunicação disponíveis, revertendo o golpe, que deixou o lastro de 265 mortos, entre civis e militares.

Coincidência ou não, o golpe acontece justamente no período em que a Turquia estava próxima da sua integração definitiva na União Europeia, que não tinha acontecido ainda em função das práticas da pena de morte, que foi abolida em 2004, da tortura e do tráfico de seres humanos. Todavia, a janela da coincidência fica mais latente quanto ao fato de que a Turquia materializou o primeiro acordo governamental com o Estado de Israel, em 50 anos, baseado na intensificação do sistema de vigilância no mediterrâneo, norte da África e na região da Eurásia, encaixando a peça do quebra-cabeça estratégico e armamentista que faltava para a projeção da OTAN, comprometendo os planos do presidente, Vladimir Putin, na manutenção daquela região nos modelos da bipolarização da Guerra Fria.

A História da Turquia está mergulhada na violência, nos assassinatos em massa e na brutalidade, desde o sultanato nos tempos da antiga Constantinopla. Nas últimas duas guerras mundiais, a Turquia sempre teve peso estratégico por sua localização geográfica e pela fama brutal, que foi associada ao seu exército. Todavia, o século XXI foi marcado pela tentativa dos turcos em se afastarem da imagem construída ao longo dos séculos anteriores, chegando ao ponto de abrirem mão da pena de morte.

A União Europeia possui o protocolo de manutenção dos seus membros, cujos princípios se baseiam nos direitos humanos. Logo, com o anúncio realizado nesta quinta-feira, 21/07/2016, quanto à suspensão da convenção europeia dos direitos humanos durante o período declarado como Estado de Emergência, a lógica histórica indica que o governo turco tem a pretensão de torturar, expor e matar os rebeldes, incluindo seus associados e simpatizantes, seguindo o modelo dos sultões, que se converterá imediatamente no isolamento da Turquia em relação à Comunidade Europeia. Entretanto, por maiores que sejam os princípios e os conceitos europeus, é impossível a manutenção econômica e financeira do continente europeu sem o acesso das passagens marítimas, aéreas e terrestres turcas. Logo, restará saber se a União Europeia se manterá firme sob seus princípios, ou se ignorará os fatos, que estão previstos a acontecer, tendo em vista que o determinante é o econômico, enquanto a Turquia tem muito mais a oferecer do que a ganhar.

Por fim, é importante que os analistas da inteligência e os jornalistas internacionais focalizem a reação da mãe Rússia, do Irã e da Índia, porque onde há conflito, sempre haverá oportunidade.

Por Nadelson Costa Nogueira Junior

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